Era uma noite de quinta-feira do dia 22 de julho.
Eu estava sentada no banco da praça Conde de Parnaíba, e bem a minha frente erguiam-se imponentes muros de um colégio onde estudara durante três longos e maravilhosos anos!
Não fazia frio, nem calor.
Vestia uma calça skinny azul escura, salto, segunda pele preta gola alta e por cima uma blusinha social xadrez!
Brincos e Pulseiras, não podia sair de casa sem estes!
Impaciente e ansiosa, não deixava de olhar para o relógio nem por um segundo! As vezes, tinha plena convicção de que não olhava para saber a hora, esta eu ja sabia de cor, olhava para distrair-me, distrair-me do amigo que não chegava, dos motoristas que passavam entortando suas cabeças...
Eu observava a gente que somente passava pela calçada, a gente que subia e descia do ônibus.
Lembrei de minutos antes, eu estava no messenger conversando com meu amigo de infância, Felipe*! Conversa vai e vem, despertou-me o interesse de tomar aulas de teatro, pois sempre achei importante para qualquer cantor ter uma boa postura no palco!
Eu já sabia previamente que ele estava tomando aulas de teatro ha algum tempo, e descobri que estas eram ministradas todas as quintas das 19:30 até às 22:00! Ele me convidou para assistir uma aula.
Então combinamos de nos encontrar na praça em frente ao Ibao (a escola) às 19:00 daquela quinta-feira!
Olhei para o relógio do celular: 19:15!
Resolvi ligar!
Tu_________Tu__________Tu__________ Alô?
- Alô, Fê? É a Mari, onde você 'tá?
- Alô, Oi, eu já 'tô chegando, por que? Você já 'tá aí?
- Sim, já cheguei faz um tempo.
- Estou passando bem em frente ao quartel, já chego aí
- Ok, bjo, até
- bjo, tchau!
Naquela altura do campeonato, eu não sabia o que esperar das proximas horas, pensava eu que ia somente sentar e assistir ao ensaio de uma peça de teatro! Bem... pensava eu...
E de tanto pensar, perdida nos meus próprios devaneios, quase nem vi chegar, já ao final da rua, meu amigo!
Levantei-me rapidamente e caminhei em sua direção.
"Deus, preciso de óculos, quase nao consigo enxergar seu rosto a essa distância" pensei.
Quando ele ja estava ha pouco metros, avancei em sua direção num abraço amistoso.
Era dificil abraça-lo de um jeito confortavel, mesmo de salto, eu não dava pé, ele se fazia muito alto pra mim!
- Meu Deus, como você cresceu - Exclamei sem perceber que soava exageradamente como a avó que não via o netinho querido ha tempos.
Ele riu
Enquanto empenhavamos uma caminhada até o teatro, conversamos sobre situações cotidianas, trabalho, estudos, dinheiro...
E fiquei feliz em rever um amigo tão querido!
Percebi que, durante tanto tempo, havia me afastado de pessoas com quem construi laços afetivos de verdadeira amizade!
Dediquei-me exclusivamente (e exaustivamente) a um relacionamento que ao seu findar, não levou apenas uma boa parte do meu coração, levou também aquilo que, naquele instante, estava tentando recuperar!
A proximidade dos meus amigos queridos!
Por quanto tempo estive ausente e distante daquela maneira?
Estava chocada com a hipocrisia que permeava a minha vida naquele momento:
Afinal, são tantas desculpas que usamos hoje em dia para justificar um afastamento, a preferida dentre elas, sempre foi o tempo!
O tempo e a falta dele!
"Desculpe a minha ausência, é que estou sem tempo para nada"
E assim iniciava todos os meus sms, telefonemas, mensagens de orkut... ... as vezes só bastava um CTRL+C, CTRL+V!
Copiava, Colava e pronto!
Estava me sentindo ridícula! Tinha jurado a mim mesma que namoro algum me afastaria dos meus amigos! E sem perceber, acabou acontecendo e eu acabei permitindo!
Não era o tempo, era eu... o tempo todo, era eu!
Será que nesse interim eu não tive 5 minutos para ligar para algum amigo? Nem que fosse para dizer "oi, Felipe, Bruno, Marina, Robson, Marcia, Débora...estou com saudades, por ondem andam, vamos tomar um café?"
Nem importava que não gostasse de café...
O café sim era uma desculpa apropriada para um reencontro!
Mas não! Eu não havia feito nada disso!
E não! Não era hora de "re-pensar" e "re-passar" o passado!
Atentei-me uns minutos a figura que andava ao meu lado na calçada. O Fê estava realmente diferente de quando o vi pela última vez.
Estava incrivelmente alto! Mas andava um pouco arqueado.
Ele vestia roupas largas que delatavam seu corpo magro.
E seu cabelo ondulado, estava comprido, a altura do pescoço. Sem barba, nem bigode!
Continuamos caminhando até avistar um pequeno grupo de pessoas que se formava em frente ao teatro.
- Já estão lá - Ele apontou com a cabeça para o local indicado!
- Nossa, estou com vergonha - Nem percebi que havia vocalizado meus pensamentos inseguros, tinha me distanciado da vida social.
Quando chegamos, percebi o quanto o Fê era querido por todos, todos o abraçavam e sorriam, mas não demoraram para notar que havia alguém a mais entre eles.
- Uau, quem é essa siri*? - Ouvi um comentário
- Essa é a minha amiga Mariana - disse ele, enquanto me apresentava ao povo.
Cumprimentei a todos, estavam tão receptivos, já eu tão tímida.
- Siri, trouxe a namoradaaaa, vejam só!
" NAMORADAAAAA?????"
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*SIRI = apelido do Fê no Teatro!
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